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Leva a inéditos pedidos de autógrafos dos miúdos

Palestra de biólogos marinhos no Laboratório do Mentes Brilhantes

Uma palestra interativa do biólogo marinho José Xavier, intitulada “Porque os ursos polares não comem pinguins?”, coadjuvado pelo colega José Seco, levou a que pela primeira vez, os miúdos do Laboratório do Mentes Brilhantes no final estendessem os seus certificados para pedirem autógrafos, tal foi o entusiasmo suscitado.

Doutorado pela Universidade de Cambridge, investigador do Instituto do Mar (IMAR) e da British Antartic Survey, José Xavier já fez 7 viagens de exploração científica à Antártida, sendo uma delas 9 meses seguidos a bordo do navio científico e 3 meses numa base de investigação, vive entre Coimbra e Cambridge, tendo José Seco estreando-se em 2011.

José Xavier falou às 55 crianças do 4º ano do ensino básico do seu trabalho como biólogo marinho, à frente de uma equipa multidisciplinar de 15 cientistas que estuda as alterações climáticas, o efeito do aquecimento global dos oceanos, o impacto da poluição no meio marinho e projectão o que vai acontecer no futuro. Mas não só, ligar os animais que povoam os oceanos, monitorizar espécies nucleares e comportamentos e ainda espécies com comportamentos diferentes.

Um dos grandes desastres é também a acidificação das águas e os gases de efeito de estufa devido ao dióxido de carbono absorvido na água de forma solúvel, que torna o ph mais ácido e fazendo com que os animais bebam a acidez.

Mas foi quando perguntou à plateia de 55 jovens “cientistas” porque os ursos polares não comem pinguins? Que as respostam surgiriam em catadupa e quase sempre as mesmas, “porque gostam mais de peixe”, “porque têm uma dieta diferente”, quando afinal a razão é apenas geográfica, os ursos polares habitam o Polo Norte e os pinguins a Antártida

Outro dos trabalhos dos biólogos é dizer aos pescadores quanta espécies se podem apanhar, estudar o mar para ajudar a compreender como os oceanos lidam com as alterações climáticas e o que está a mudar na Antártida, e perceber quem como quem no mar.

O exemplo das pequenas picanhas que comem animais muito maiores ou das grandes baleias que comem animais muito mais pequenos, dos polvos venenosos, das lulas gigantes às colossais, de predadores como as orcas e os tubarões, intervaladas com perguntas com muito humor, como a de uma criança que perguntou se podia ter um leão-marinho como animal de estimação.

Depois falou dos dias com sol durante 24horas no verão, e já a palestra ia longa, quando José Xavier deu conselhos para quem queira ser biólogo marinho, para além da aventura que isso represente: é preciso estudar bem inglês, matemática e físico-química, requisitos fundamentais para a profissão.

No final uma estrondosa salva de palmas com direito a autógrafos e a promessa de um regresso em Junho ou Julho para uma palestra com a Universidade Sénior.

Antes da sessão no Centro Educativo, José Xavier e José Seco visitaram as valências da Fundação ADFP, na sede, tendo como anfitriões Hugo Vaz e José Miguel Simões, e foram recebidos por Fátima Ramos, consultora do Conselho de Administração da Fundação e membro do Conselho de Fundadores.

Depois do almoço no Restaurante Museu da Chanfana, já com a presença da bióloga Margarida Soares, que integra o projeto Mentes Brilhantes e assistiu à palestra, houve visita ao Parque Biológico da Serra da Lousã e ao Museu Vivo de Artes Ofícios Tradicionais.

Antes de partirem e enquanto se prepara para nova expedição à Antártida, a 8ª, José Xavier não deixou de exprimir- sobre a Fundação ADFP:

“É espetacular pela sua abrangência, e diversidade de respostas. Nunca vi em lado nenhum nada de similar”, disse, deixando uma sugestão que o próprio Mentes Brilhantes já contempla:

“Porque não convidar diferentes concelhos para trabalharem convosco por um determinado período?”.

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