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Projeto da Fundação ADFP chega ao fim após 4 anos de sucesso

Câmara Municipal corta apoio ao “Mentes Brilhantes” 

O projeto educativo “Mentes Brilhantes” da Fundação ADFP chegou ao fim após quatro anos de existência coroada de sucesso, porque a Câmara Municipal cortou o apoio, devido à implementação nas escolas de programas de ciências muito semelhantes.

Num dia de sol muito quente, no relvado do Hotel Parque Serra da Lousã, estavam lá todos, alunos, pais e encarregados de educação, patrocinadores, Margarida Soares, responsável pelo projeto, Hugo Vaz, o psicólogo do Mentes Brilhantes, e o Diretor Executivo da Fundação, Rui Ramos.  

Margarida Soares, primeiro recordou a génese do projeto

“A 6 de Outubro de 2014 iniciou-se em Miranda do Corvo, um projeto inovador, diferente, de ensino não formal de nome “Mentes Brilhantes”. Desde o início, este projeto acolheu o carinho de todos: dos trabalhadores da Fundação ADFP, das entidades da vila, dos Mirandenses, dos professores, dos encarregados de educação, dos funcionários e, especialmente acolheu o entusiasmo dos alunos que sentiram na pele o que é ser um mini-cientista”.

Com um misto de tristeza por chegar ao fim, e de alegria pelo brilhantismo conseguido, a responsável pelo projeto fez a síntese do “Mentes Brilhantes”:

“Foram 4 anos brilhantes. 4 anos em que nos focámos no melhor das crianças, onde potenciámos os seus talentos e onde promovemos várias atividades multidisciplinares para uma oferta diversificada e inovadora em Miranda do Corvo, apoiada por todos”.

Envolvidos nestes 4 anos estiveram mais de 450 alunos, com cursos de ciências experimentais durante o período letivo e atividades no natal, páscoa e campos de férias com pernoita no verão, fora dele. 

Diretor Executivo da Fundação ADFP não poupou nas palavras 

Mas ainda antes dos patrocinadores tomarem a palavra, Rui Ramos, o Diretor Executivo da Fundação ADFP, começou por agradecer ao Diretor Distrital da Caixa de Crédito Agrícola (CCA), Rui Vital:

“Sem a CCA o projeto “Mentes Brilhantes” não teria sido possível”.

Sem poupar nas palavras, Rui Ramos disse mesmo que “hoje é um dia de luto porque o projeto vai morrer, já que a Câmara Municipal vai deixar de o apoiar”.

Após referir-se ao projeto educativo da Fundação ADFP, nomeando o Mentes Brilhantes e também a abertura do colégio St. Paul’s, internacional, em Coimbra, Rui Ramos foi categórico:

“A Fundação ADFP quer uma educação muito melhor: Miranda precisa do Mentes Brilhantes. Espero que o programa continue, com ou sem a Fundação presente, que leve os alunos mais além do ensino tradicional”, afirmou.

Rui Ramos referiu-se depois à professora Ana Margarida, vice-presidente do Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo, “sem escola não há projeto”, a Cristina Graça, da Associação de Pais, “sem pais não há crianças nem escolas que apoiem este projeto na vila”, voltou a elogiar os professores, e a desejar “com ou sem a Fundação, com nome igual ou semelhante, que o projeto continue, “porque todos os ‘cientistas’ precisam”.

A professora Ana Margarida disse que “para os reis desta festa é muito bom ter a plateia cheia”, deu os parabéns à Fundação ADFP, “porque foi ela que começou o projeto”, e conclui, afirmando:

“É triste acabar o “Mentes Brilhantes”. Temos que sair fora da casca do método tradicional de ensino e por isso desejo que este projeto se mantenha com este ou outro nome””.

Pela Associação de Pais (AP), Cristina Graça recordou a ligação ao projeto desde o seu início, e que é “mãe de um menino cientista”, para dizer ainda que “só posso deixar aqui um muito obrigado a todos os professores destes meninos” e também recordar que em “2014/2015 a AP entrou de braços abertos na parceria, com uma nova aprendizagem científica com dinâmica laboratorial, que foi uma grande mais-valia”.

A Câmara Municipal elogiou o “Mentes Brilhantes” e anunciou o corte do apoio

Após o discurso inicial do Diretor Executivo da Fundação ADFP, Rui Ramos, todos esperavam as explicações da representante do município, Margarida Mota, (a câmara optou por não se representar por nenhum eleito...) que começou por dar os “parabéns a todos e às famílias, pelo projeto financiado pelo município e pela CCA, com apoio anual de 15 mil euros”.

“É nossa intenção – afirmou ainda – continuar a apostar nestes projetos de valorização do ensino às crianças, que vamos continuar a seguir nas escolas, com um novo projeto educativo, embora não se saiba se é para este novo ano, mas não com este figurino, apoiando a dinâmica científica na escola, e não faz sentido manter dois projetos educativos”.

Especificando melhor, Margarida Mota concluiu:

“Depois desta caminhada e método de trabalho que os alunos adquiriram, vamos continuar a apoiá-los, mas não será nestes moldes”.

Falou por último Rui Vital, Diretor Distrital de uma Caixa de Crédito Agrícola, com sede nos concelhos de Coimbra e Miranda do Corvo (o gerente Paulo Silva também presente), que pugna “pelo bem-estar das populações, acentuadamente em termos sociais e que disponibiliza-se para continuar o apoio pretendido pela Fundação a quem agradeço por um projeto de grande potencial”.

Depois foi a vez de todas as turmas receberem os seus diplomas (este ano o número de alunos foi de 120), entregues pelos patrocinadores, e claro, a entrega de cheques de 250 euros aos melhores 10 cientistas:

Manuel Rodrigues, Maria Rita Redondo, Mafalda Agostinho, Rita Antunes, José Rodrigues, Rafael Gonçalves, Olga Velez, Bianca Vitória, Francisca Fernandes e Ana Laura Reis.

Recorde-se que a Fundação ADFP candidatou-se com o “Mentes Brilhantes” ao seu financiamento no âmbito do programa “Portugal 2020” mas mesmo tendo dinheiro da Europa o projeto morrerá por falta de apoio da Câmara. Morre o projeto Mentes brilhantes, desaparecem alguns postos de trabalho e as crianças ficam sem apoio e Miranda fica mais pobre.