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Jaime Ramos recebeu elogios de todos com o Presidente da Câmara a considerá-lo “um visionário”

Durante o 29º Aniversário a Fundação ADFP apresentou obra

O 29º Aniversário da Fundação ADFP de Miranda do Corvo, que durou um dia inteiro, ficou marcado por inaugurações e lançamentos da 1ª pedra de outras obras, a 6 de Novembro, e que receberam um unânime elogio dos convidados, com o Presidente da Câmara Municipal, a considerar Jaime Ramos “um visionário”.

Miguel Baptista, durante o almoço no Salão de Festas elogiou o trabalho social da Fundação, a sua crescente dimensão, a dedicação dos seus funcionários, pelos resultados alcançados nestes 29 anos. Mas foi mais longe ao considerar que o Presidente do Conselho de Administração, Jaime Ramos, teve um papel fundamental e que é um autêntico “visionário”.

“Apesar de alguns entraves colocados pela burocracia, a Câmara sempre colaborou e continuará a colaborar com a Fundação ADFP”, Miguel Baptista concluiu dias depois da autarquia ter multado a instituição com uma coima de 400.000 euros, relativa às obras de construção do Hospital terem começado sem a devida licença.

Jaime Ramos aproveitou o almoço com centenas de pessoas para agradecer a colaboração que todos os dirigentes deram á instituição ao longo dos 29 anos, tendo salientado a dedicação dos colaboradores e feito uma referencia muito especial ao Padre Daniel Mateus, presidente do Conselho Geral.

Recordou que no processo de construção do Templo Ecuménico Universalista, o primeiro no Mundo, o Padre Daniel Mateus teve um papel fundamental. "Quando pela primeira vez pensei em construir um espaço espiritual Ecuménico apresentei a ideia ao Padre Daniel, que de imediato apoiou" .

"Nao só apoiou a visão de concórdia entre as três religiões abraâmicas, ditas do Livro, como me incentivou no dialogo para construção de harmonia com as restantes religiões do Mundo" . E continuou " numa obra há o trabalho visível e o invisível, e o Padre Daniel foi fundamental nesta construção, trabalho nem sempre evidente, mas decisivo nomeadamente a possibilitar no inicio contactos para me aperceber da receptividade da iniciativa". "Quero publicamente afirmar que perante o apoio que o Padre Daniel sempre deu á ADFP, desde a fundação, se me tivesse transmitido desconforto perante a intenção de construção do Templo este nao teria avançado. Como apoiou construímos o Templo."

Inauguração de adega e prédio residencial

O dia do 29º Aniversário da maior empregadora do Concelho e que é também o maior investidor local, começara horas atrás, com o içar da bandeira e o hino nacional, à entrada do Centro Social Comunitário logo pelas 8h30.

Depois foi um autêntico rali contra o tempo para respeitar o programa. Pelas 9h00, a começar por visitar uma casa doada em Tábuas que, depois de renovada e transformada, será alugada a uma família com necessidades.

Uma outra casa recém-adquirida em Vila Nova, e que a comitiva visitou cerca das 16h30, poderá ser transformada numa espécie de centro social e de convívio, no rés-do-chão, e de habitação com adaptação a fins turísticos, tipo hostel, ligado á natureza no 1º andar.

Ainda de manhã, destaque para a inauguração da nova Adega na Zona Industrial da Pereira, com uma capacidade de 96 mil litros, numa área de 4640 m2 e o edifício 2417,14 m 2. Este último engloba dois sectores, o r/chão e o 1º andar. O r/c inclui uma área de vinificação e linha de engarrafamento, um laboratório, uma sala de provas, uma área para arrumos, instalações sanitárias, um espaço de vendas, uma sala de reuniões, um Gabinete Técnico e 47,20 m2 de área de circulação. Já no andar, duas salas de reunião, 3 salas de formação e 1 instalação sanitária com uma zona de circulação de 11,26 m2.

A cave, para armazenamento de espumante tem uma área de 192 m2. Nos terrenos da Adega, houve lugar ao lançamento da 1ª pedra de um armazém que servirá de suporte à Adega e a restantes actividades da ADFP.

A visita prosseguiu com a inauguração da Residência Esperança, com oito apartamentos tipo T4 na Rua da Coutada, para onde irão residentes das respostas de saúde mental ,alojados numa casa alugada na Godinhela e alguns refugiados.

A Fundação ADFP no concelho de Coimbra

Um salto até Coimbra, e mais propriamente ao Colégio de S. Martinho do Bispo, que a Fundação adquiriu para tentar salvar a Creche e o pré-escolar, situados em Bencanta, no Centro Social Paroquial, e que agora se concentram no colégio, com as devidas obras de remodelação já prontas, onde já funciona a Universidade Sénior do Mondego.

Luís Correia, o director do Colégio, considerou o investimento da Fundação uma mais-valia para o colégio:
“Foi um ótimo investimento. Um investimento a pensar nas pessoas, salvando alguns postos de trabalho e dando condições aos alunos para continuarem a frequentar o colégio”.

Questionado sobre que perspectivas é que o Colégio tem agora, Luís Correia considerou que “o futuro não vai ser fácil mas, aproveitando todos os recursos da Fundação e algum know-how instalado, vamos conseguir criar as condições necessárias para o aparecimento de um projeto inovador, que possa ser uma referência na área da educação.”

Daí à futura e ampla Residência Dignidade que, no âmbito do programa “Sem Abrigo Zero” apoiará pessoas sem abrigo, perto da estação Parque, foi um passo.


Do Colegio ao ingote sem esquecer os sem-abrigo

Jaime Ramos, em declarações posteriores, ao Diário de Coimbra, falou do projecto do Ingote, da autoria do Arq. Carrilho da Graça, “que queremos muito concretizar, uma vez que são 3 unidades que não existem hoje na região, uma para tratar pessoas com doenças neuro-degenerativas mentais ou neurológicas, outra para crianças com doenças raras e outra para cuidados paliativos”.

Jaime Ramos foi claro, nessas declarações, ao afirmar que “se o Dr. Manuel Machado [Presidente da Câmara Municipal de Coimbra] disser para avançarmos, nós avançamos, só estamos à espera dessa luz verde”.

O regresso a Miranda do Corvo levou a comitiva de algumas dezenas de convidados ao recém-construído Templo Ecuménico e Universalista, inaugurado a 11 de Setembro passado, em memória de todas as vítimas de terrorismo no mundo.

Jaime Ramos fez então uma breve apresentação do templo aos convidados tendo salientado o facto de ser um monumento destinado a promover a tolerância, o respeito pela diferença e uma cultura de paz. No local o Presidente da ADFP salientou a necessidade de a Câmara melhorar a ligação Templo-Godinhela encaminhando os turistas para a visita de Miranda.

Discursos de Nuno Filipe e Padre Daniel Mateus

No almoço de aniversário, no Salão de Festas, Jaime Ramos convidou o presidente do Conselho Fiscal, Nuno Filipe a ser o primeiro orador, e este pôs a tónica no trabalho pioneiro da instituição em termos de economia social:
“É um modo de investir e produzir riqueza, que está para além do Sistema em que vivemos, porque os seus proveitos - que se chamam lucros numa empresa particular - são reinvestidos em bens e serviços que revertem por sua vez, para as pessoas que fazem parte da Fundação, sejam utentes ou técnicos e trabalhadores em geral”, afirmou.

“Este tipo de economia aponta para um mundo diferente, uma outra sociedade, com que sonham todos aqueles que desejam que se acabe com as injustiças e com a exploração”, acrescentou.

Nuno Filipe saudou especialmente colaboradores e técnicos, destacando a importância do desempenho das suas funções, o papel da instituição em manter e alargar postos de trabalho, e dando os parabéns à Fundação na pessoa do Dr Jaime Ramos:
“Ele, que tem sido desde o início, o inconformado que procura fazer sempre mais e melhor. Graças a esse espírito de dedicação e capacidade a ADFP transformou-se na grande instituição que é hoje”.

Depois foi a vez do presidente do Conselho Geral, Padre Daniel Mateus, que falou de São Nuno Álvares Pereira, herói da Pátria no Séc. XIV, cuja festa se celebra também a 6 de Novembro, “pelo seu sentido de serviço humilde dos mais humildes”.

Padre Daniel Mateus citou um artigo recente assinado por Anselmo Borges no Diário de Notícias, sobre o falecido João Lobo Antunes, em que o autor cita o próprio cirurgião:
“Digo apenas que é preciso estar atento a uma voz e responder sem hesitações ao seu comando. Para tal é preciso pois, estar sempre à escuta, como se conta do jovem profeta Samuel”. No fundo uma chamada de atenção às pessoas que estão ao serviço da Fundação, para terem que estar sempre atentas ao ser humano e á espiritualidade...


Hospital Compaixão maior investimento privado de sempre no concelho

A visita às obras de construção do Hospital, o maior investimento privado de sempre no concelho, com um custo final previsto de 7 milhões de euros, permitiu que Gabriela Andrade, a engenheira responsável pelo projecto, desse aos visitantes uma visão rigorosa de como estarão instalados os serviços nos três pisos do edifício:
“O Hospital Compaixão situa-se num terreno de 9.819.00m², anexo ao Centro Social Comunitário, com uma área de implantação de 1.746.00m² e uma área de construção de 4.225.98m² distribuída por três pisos. Trata-se de um investimento destinado a promover a qualidade de vida, o bem-estar e saúde na sua área de influência, criando emprego especializado e reforçando a coesão social do território”.

A responsável pelas obras e equipamentos da Fundação, descreveu também a constituição da unidade de saúde: um bloco operatório com duas salas de cirurgia, área de urgência, sector de ambulatório, consultas externas e internamento (55 camas).

Está ainda contemplada uma área para exames complementares de diagnóstico, por imagem no âmbito da tomografia axial computorizada (TAC), ecografia, radiologia geral, cardiologia, pneumologia e patologia clínica (análises clínicas).

O estacionamento terá 257 lugares que servirão os doentes, visitantes e funcionários.

“Esta iniciativa da ADFP tem como objetivo dotar Miranda do Corvo e os concelhos vizinhos de valências médicas e cirúrgicas com a possibilidade de realização de exames auxiliares de diagnóstico”, concluiu.

Jaime Ramos abordou depois um tema essencial, a da sustentabilidade do Hospital, que só poderá ser alcançada com os acordos, à semelhança do que acontece noutras unidades de saúde, com o Estado e a Segurança Social. Foi claro ao dizer que em Miranda nao há ricos em número suficiente para custearem os custos com a saúde pelo que deve ser o Estado a assumir as despesas. Deu o exemplo do SNS que já presa muitos serviços usando estabelecimentos privados, desde farmácias a laboratórios . Por todas as razões o SNS deverá no futuro protocolar serviços com o Hospital Compaixão m Miranda.


Passeio da Gratidao

Ainda antes do epílogo das celebrações, houve visita ao Passeio da Gratidão, no Parque Biológico, uma espécie de Passeio da Fama hollywoodiano, mas local em que a Fundação recorda os amigos e benfeitores já falecidos, a cada um dedicando uma placa, e plantando sempre ao lado um castanheiro ou outra árvore autóctone que perpetue a sua memória. Desta vez foram homenageados o Prof. António Barbosa de Melo, ex-Presidente da Assembleia da Republica (antigo membro do Conselho de estratégia) e Álvaro Cardoso , ex-funcionário dos HUC (antigo membro do Conselho Geral).


Hotel Parque, a melhor pontuação da regiao

O 29º aniversário teve o seu epílogo com uma recepção no Hotel Parque Serra da Lousã, e um brinde com espumante Aldeia do Xisto, com queijo e enchidos Terra Solidária, festejando o primeiro ano de actividade da unidade turística de que é Directora Fátima Ramos.

O Hotel Parque tem tido muito boas apreciações por parte dos clientes pelo que é o Hotel da região, incluindo a cidade de Coimbra, que tem melhor pontuação na maior central de reservas, a "booking".

A festa de aniversário terminou num ambiente descontraído e relaxante, após uma maratona celebrativa que confirmou o desenvolvimento e crescimento da Fundação ADFP, não só a nível regional mas também como referência nacional no domínio da economia social.
Jaime Ramos em declarações exclusivas para o Mirante mostrou-se optimista com o futuro da ADFP mas muito preocupado com a situação económica do país e com o crescente endividamento do Estado. Uma futura crise nas contas do Estado poderá trazer dificuldades enormes para as pessoas, famílias e instituições de solidariedade social, mais graves das que enfrentámos com a "troika".

Perante uma crise económica de grandes dimensões será a classe média e as organizações sem fins lucrativos que poderão ter de pagar a conta mais pesada, pelo que a ADFP sofrerá tal como as outras instituições de solidariedade. Afirmou: " a diversificação de actividades e de localização geográfica poderá contribuir para tornar a ADFP mais independente dos apoios do Estado e mais resistente ás crises".

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