Animação de loading

Graça Capinha e Teresa Carvalho apresentaram no Espaço da Mente, Ecomuseu, “Os Nomes dos Pássaros”, o último livro de António Amaral Tavares

Graça Capinha e Teresa Carvalho apresentaram no Espaço da Mente, Ecomuseu, “Os Nomes dos Pássaros”, o último livro de António Amaral Tavares

Ainda integrado nas comemorações do 30º aniversário da Fundação ADFP de Miranda do Corvo, o Espaço da Mente, no Parque Biológico da Serra da Lousã, abriu portas para receber o último livro do poeta António Amaral Tavares, “Os Nomes dos Pássaros”, com a presença do autor.

Para António Amaral Tavares, de 53 anos, poeta e colaborador da Fundação ADFP de Miranda do Corvo, nomeadamente no “Espaço da Mente, onde escreve alguns dos seus poemas, “Os Nomes dos Pássaros” é o seu último livro, editado com a chancela da Língua Morta.

Antes da apresentação do livro por Teresa Carvalho, Jaime Ramos, Presidente do Conselho de Administração da Fundação ADFP, fez um breve agradecimento a todos os oradores, a António Amaral, que considerou poeta admirável, por ter escolhido novamente o Espaço da Mente para apresentação de um livro ao público presente.

Graça Capinha, que coordena a série "Literatura e Artes", da Coleção CES/Almedina, diria que a poesia do autor “não é de dizer muito (palavras), é exatamente ao contrário”:

“Sempre achei que havia uma qualidade que o distinguia, uma capacidade de muito poucos poetas, de trabalhar com a noite do livro, produz espaço de ausente silêncio, tenso com a linha do real, e muitas vezes não pode ser dito”, considerou Graça Capinha, que leu o poema “lembro dias de navegação gloriosa”:

“Lembro dias de navegação gloriosa/rotas marítimas para oriente/fogueiras e mistério, monções distantes.

Já nada disso existe nas tormentas/que me dobram o corpo hoje um erro/nada mais do que isso.

E que o melhor que há a fazer/será enterrarmos os mortos de vez/nessa cidade de ninguém.

No entanto se penso que recuas/uma sombra cai sobre os barcos das Índias/e o ensejo dos tigres.

E eu fico como uma criança/que a meio da infância trocou de casa/para a da idade que deveras possui.

No frio do caos interior/a parte imersa de um iceberg/que não consigo desassombrar.

A correr em sentido/contrário ao dos pássaros/dias a fio a polir pedra.

Foi breve a explosão amarela das acácias de fevereiro/correm momentos em que caio da ironia/fraquejo e qualquer coisa em mim se abate.

Porque não sei fazer mais nada/ senão lamber esta podre melancolia/e sentir o cheiro de Deus na luz de sábado

Na solidão de um cadafalso”.

Já antes, Teresa Carvalho, crítica literária no jornal I, falara de uma “certa opacidade do real e das palavras, sem nunca nomear os nomes dos pássaros, até perante a fulanização do real, mas tornando-o impensável, quanto mais real, mais se afasta”.

A iniciativa deste evento literário foi da Fundação ADFP, do Clube Unesco Trivium, do Espaço da Mente, e do Parque Biológico da Serra da Lousã.

“O Espaço da Mente é o centro e a alma do Ecomuseu de Miranda do Corvo. Museu territorial, porque confinado aos limites administrativos do Concelho, e parte integrante do Trivium, constituído pelo Parque Biológico da Serra da Lousã, representando a igualdade da Vida em todos os seres vivos; o Espaço da Mente que promove a liberdade exigida pela mente; e o Templo Ecuménico Universalista, que obriga à fraternidade espiritual do Homem com a Natureza, com toda a Criação”.