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O filme Para além da memória do realizador e ator Miguel Babo

Lotou o Cinema e catapultou Miranda do Corvo para o mapa da cultura nacional

18 Novembro 2019 | Eventos

A antestreia nacional do filme “Para além da memória”, do realizador Miguel Babo, também protagonista, lotou a sala mirandense, e foi rodado principalmente em Miranda do Corvo e também Alvaiázere e as termas da Curia, catapultando a vila mirandense para o mapa da cultura nacional, dia 6 de Novembro.

A trama gira à volta de uma mulher (a atriz Lídia Franco) com Alzheimer, suscitando a preocupação da família e dos que a rodeiam mas, como disse o realizador, é essencialmente “sobre as relações humanas, com um toque neorrealista e existencialista, com uma forte vertente feminina, não enquanto feminista, mas feminina enquanto ser”.

Produzido por António Cardo, novel residente no concelho de Miranda do Corvo já que vive no Senhor da Serra,

“Para além da memória” “lança um argumento fantástico e puxa por Miranda”, com um naipe de conhecidos atores, desde Lídia Franco, à brasileira revelação da TV Globo, Gabriela Moreyra, Teresa Corte Real, o próprio Miguel Babo, mas também os notáveis Álvaro Faria, Ângelo Torres, João Damasceno, Joaquim Guerreiro e Joana Pascal, e muitos figurantes mirandenses, que o público da vila imediatamente reconhece.

“Para da Memória, que só estreará em Portugal, em fins de Janeiro e princípio de Fevereiro, em várias salas, é no entanto já conhecido no estrangeiro, onde já foi premiado em vários festivais de cinema como o Top Winners Awards, como melhor ideia original, e nomeado para melhor filme, tendo sido selecionado para o DIORAMA Film Festival, que terá lugar em Nova Deli (Índia), já em Dezembro, foi rodado este ano e será distribuído por cá pela Talent Tilicius.

Quem o for ver na estreia portuguesa, ficará a conhecer, melhor do que qualquer campanha publicitária, o centro do país, nomeadamente Miranda do Corvo, com cenas filmadas no Parque Biológico da Serra da Lousã, aliás o filme começa com um plano de um dos linces que ali habitam, no Hotel Parque Serra da Lousã e até no Templo Ecuménico e Universalista, com grande simbolismo maçónico, para além, por exemplo, do próprio Café Avenida, praça José Falcão e aldeia do Gondramaz.

Logo a seguir à exibição de 2 horas e 49 minutos, teve lugar um debate tardio, já sem a presença de muitos espectadores, mas não menos interessante. 

Jaime Ramos, presidente do Conselho de Administração da Fundação, lançou para o debate o facto de o filme ser sobre a memória e a doença de Alzheimer, que afeta vários utentes da instituição mirandense.

E foi por isso mesmo que Miguel Babo agradeceu primeiro à Fundação ADFP, depois à vila, “fomos muito bem recebidos, com uma hospitalidade enorme, onde se come maravilhosamente”, e deu realce não só ao apoio desta IPSS, mas também” às várias cenas aqui filmadas em variados cenários”.

“Temos um grande orgulho em dar a conhecer o concelho fora de Portugal e de vocês reconhecerem os locais dentro da povoação. O filme foi feito para o mundo, e já em Dezembro estará no festival de Nova Deli, entrando depois no circuito comercial português em várias salas de cinema”, afirmou Miguel Babo.

“Se fizéssemos o filme hoje, escolheremos o mesmo elenco, eles ganhariam mais, mas o tempo foi escasso e tudo correu bem, e de maneira digna”, acrescentou”.

Quando Jaime Ramos pôs a questão da perda de memória que se tem com a doença de Alzheimer, e no filme a protagonista já não reconhece o filho e as netas, o ator Álvaro Faria, que representa o papel de um ministro, falou também que “os atores que conhecem de memória as suas deixas, às vezes têm uma “branca”, isto é, temos uma memória que vamos perdendo mas perderemos muito mais”.

Talvez por isso o filme é dedicado a Joaquim Durão, o 1º Mestre Internacional de Xadrez em Portugal.

Álvaro Faria afirmou que tem “uma memória muito boa imediata”, facto que levou Miguel Babo a referir que “a memória tem vários aspetos e no filme há uma memória emocional para construir esta personagem [Lídia Franco], e todos os doentes de Alzheimer são diferentes”.

“Em TV podemos perder a memória, mas temos a certeza de poder repetir várias vezes uma cena”, disse o realizador, contrapondo Álvaro Faria “que em teatro se te enganas muitas vezes não dá, embora agora já haja o ponto, senão quando esqueces é o pânico, é a branca total”.

Mas quem for ao cinema ver “Para além da memória” certamente que não deixará o tema Alzheimer no esquecimento, e sobretudo ficará com a enorme vontade de reconhecer ou conhecer Miranda do Corvo, de uma forma como nunca a viu.