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Nabada de Semide é candidata às 7 Maravilhas Doces à Mesa no Distrito de Coimbra

Na categoria “Histórico, Cultural e Natural” da Mesa das Terras da Chanfana

15 Março 2019 | Cultura, EcoMuseu, Turismo

A Nabada de Semide é uma das candidatas do Distrito de Coimbra, e estará nas eliminatórias regionais entre Julho e Agosto com transmissão na RTP1. Após as várias eliminatórias, a grande final realiza-se a 7 de Setembro.

Sendo certo que a Nabada de Semide é talvez o único doce conventual português que não leva ovos, tendo sido criada pelas monjas do Mosteiro de Santa Maria de Semide, foi o Restaurante Museu da Chanfana, em Miranda do Corvo quem, a 11 de Agosto de 2011 recuperou e registou esta sobremesa, reintegrando-a na gastronomia regional, e que agora é finalista do concurso da Mesa das Terras da Chanfana.

A Nabada de Semide transformou-se num mito da gastronomia. Um doce frequentemente referido na literatura sobre gastronomia tradicional e conventual, mas que deixou de figurar nas mesas das famílias, nunca tendo sido incluído nos menus dos restaurantes. O Restaurante Museu da Chanfana decidiu transformar a nabada, mito da cozinha antiga, feito à base de nabos, açúcar e amêndoas, em doce realidade que se pode degustar sempre que se deseje.

A ideia de redescobrir este doce conventual que entrou em desuso, surgiu quando José Quitério, crítico gastronómico de renome no semanário Expresso, escreveu sobre o Restaurante Museu da Chanfana em Janeiro de 2011.

José Quitério referiu então que “era uma pena não se honrar a Nabada em nenhum restaurante”. Após aturada pesquisa e muitas horas de testes e experiências, Vítor Fernandes conseguiu “apurar” uma Nabada de Semide, com sabor contemporâneo. Esta Nabada recriada pelo Chef Vítor Fernandes assenta na memória da receita tradicional, com ajustes em termos de ingredientes e confeção que continuam segredo do Restaurante Museu da Chanfana, que tanto a confeciona com amêndoas ou nozes. Embora a receita histórica só usasse a amêndoa, fruto não produzido na região, Vítor Fernandes criou a versão com noz para valorizar os produtos endógenos.

A quando da introdução da Nabada na ementa do Restaurante Museu da Chanfana, Vítor Fernandes desvendou um dos segredos da receita feita à base de nabos:

“É preciso conhecer a agricultura, porque as suas raízes em contacto com a humidade continuam sempre ativas, pelo que têm de estar secas três dias antes da confeção sob pena do seu intenso sabor prevalecer, o que não é agradável”.

A Nabada também pode ser usada para barrar pão, como acompanhamento de queijo fresco ou curado e até servir para recheio de tartes.

Foram as freiras do convento beneditino de Santa Maria de Semide (segunda maior freguesia do concelho), que o habitaram de 1183 a 1896, que o conceberam à base de nabos, açúcar e amêndoas. As receitas mais antigas reportam o uso de almíscar, pau de canela, flor de laranjeira e água de rosas. As receitas mais tradicionais podem ser consultadas, por exemplo, na brochura “Gastronomia-Miranda do Corvo”, da autoria de Mª Teresa Osório e Mª Helena Duarte (antigas professoras da Escola C+S José Falcão), editada em 1995 e patente na Biblioteca da Fundação ADFP, proprietária do Restaurante Museu da Chanfana.

Para saborear a Nabada, com sabor a amêndoa ou a noz, basta deslocar-se ao Restaurante Museu da Chanfana, no Parque Biológico da Serra da Lousã, em Miranda do Corvo, aberto todos os dias das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h, bastando reservar mesa através dos telefones 239538445 ou 915361527.