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O destaque foi para o debate sobre Liberdade e/ou Religião

No I Encontro de Parceiros 2016 da Fundação ADFP

No contexto de promoção de valores civilizacionais humanistas, e integrado nas comemorações do Dia Mundial das Religiões e Dia Mundial da Liberdade, a Fundação ADFP, de Miranda do Corvo, promoveu o I Encontro de Parceiros 2016, em que o destaque foi o debate sobre Liberdade e/ou Religião, no cinema da vila.

O encontro, que teve a adesão de 30 parceiros, começou com uma visita à sede da Fundação, para quem não a conhecia ainda, seguido de um almoço no Restaurante Museu da Chanfana, e uma ida ao Espaço da Mente, prosseguindo depois com a visita ao Museu Vivo de Artes e Ofícios Tradicionais.

Na impossibilidade de visitar as obras do Templo Ecuménico Universalista, devido ao mau estado da estrada florestal que a ele conduz, o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Jaime Ramos, aproveitou para uma apresentação à base de diapositivos, no cinema da vila, à qual seguiu-se o debate sobre Liberdade e/ou Religião.

Paulo Mendes Pinto diretor da Licenciatura e do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, onde também dirige o Instituto Al-Muhaidib de Estudos Islâmicos, e Carlos Esperança, presidente da Associação Ateísta Portuguesa, foram os dois oradores convidados.

Após referir que já ouviu “coisas muito bonitas sobre o significado do Templo e a construção desse espaço”, Paulo Mendes Pinto afirmou ser “fácil olharmos para sua história enquanto humanistas, enquanto seres humanos”, o orador entrou no âmbito do debate considerando que “a religião permitiu-nos fazer do melhor e do pior” e que “este Templo nos obriga a refletir, trazer ao de cimo no campo da consciência, a religião, liberdade, respeito” e recordou a “liberdade religiosa enquanto crentes que podem exprimir a sua fé livremente, ao abrigo da constituição, e a liberdade de consciência”.

Paulo Mendes Pinto recordou o ataque, em janeiro de 2015 à redação da revista Charlie Hebdo, para sublinhar que “a Europa e a França, berço de liberdade onde, hoje, por causa de uma dimensão de medo, criou-se um clima securisante, em que abdicamos de algumas liberdades pela segurança”, citou um pensador português, Frei Fernando Ventura - “é preciso tratar o outro como igual, não tolerado, mas aceite”- e o artista David Bowie, que lançou, antes de morrer, o tema “Lázarus” (poetisa judia americana), que em 1873, escreveu um soneto, do qual, 16 anos mais tarde se inscreveu no pedestal da estátua da Liberdade os seguintes versos:

"Tragam a mim os exaustos, os pobres, as massas confusas ansiando por respirar liberdade”.



Templo Ecuménico Universalista: “Uma obra ímpar”



Depois foi a vez de Carlos Esperança falar da “obra ímpar que está a desenvolver-se em Miranda do Corvo”, referindo-se ao Templo. Após enunciar que “penso que Deus não existe”, Carlos Encarnação vai ao poema “Divina Comédia”, de Antero de Quental, para citar algumas estrofes:

“Os homens clamam 'Deus para que nos criaste?' Deus responde: “Homens para que me criaste?”.

Carlos Esperança aludiu às 3 religiões monoteístas, “num tempo em que o pensamento da época era tribal e patriarcal”, falou de Constantino [imperador romano] que “transformou uma dissidência numa religião católica”, e afirmou que o Papa Bento XVI “dava-se mal com a liberdade religiosa que nunca aceitou pacificamente” e que o Cardeal Ratzinger “nunca precisava que se estimulassem os sentidos”: “o homem era sexualmente misógino e a mulher uma mera reprodutora””.

Em relação aos dias que hoje se vivem, Carlos Esperança, que afirma “não ter nenhuma crença”, considera que a sociedade “vende a liberdade à segurança”, e que “democracia é o governo das maiorias mas sobretudo o respeito pelas minorias”, numa “Europa adoentada com medo”. Após referir que o “islamismo é uma cópia grosseira do judaísmo e cristianismo”, o presidente da Associação Ateísta Portuguesa, considerou que “no dia em que não podemos construir um templo cristão na Arábia Saudita, democraticamente autorizamos a construção de uma mesquita”.

“Valor mais importante que os ateus ou a fé, são a liberdade, a igualdade e a fraternidade”, concluiu.

No debate que se seguiu, realce para o Padre Martins, da Rede Anti-pobreza Europeia, que começou por afirmar que “fé e religião são coisas totalmente diferentes, sendo que a fé é a minha relação pessoal com Deus”.

Padre Martins sublinhou depois que “o conceito de ecumenismo é restrito, não universal, que só se aplica ao diálogo no cristianismo, com outras religiões trata-se de diálogo interconfessional”.

“Precisamos de um pós-ecumenismo entre cristãos que não se revêm no ecumenismo (encontros de Assis) para levá-lo fora do cristianismo”, afirmou.

“A Europa está como está, tem-se afastado de Deus, o novo Deus é o dinheiro, o capitalismo selvagem que relega as pessoas para segundo plano: em 2010 havia um milhão de pobres, hoje são 130 milhões”, concluiu.

Logo depois, Padre Daniel contou uma história paradigmática e ecuménica:

“Em Roma, durante uma apresentação do corpo diplomático, sentaram o então bispo Roncali ao lado do embaixador soviético, o qual se sentiu muito incomodado por ser seu vizinho na mesa. Roncali virou-se para o embaixador e disse: somos os 2 mais gordos aqui, portanto vamos lá comer a nossa buchinha, e o resulado foi o desaparecimento do incómodo”.

O debate foi vivo e prendeu a atenção da plateia, muito bem composta, de tal modo que, dado o adiantado da hora, o outro tema, “O futuro das parcerias”, ficou para outras núpcias.



A Fundação ADFP em 2015


Lançamento da obra de construção do Templo Ecuménico Universalista – primeira pedra em 11 de setembro.

Residência Respeito: para pessoas com deficiência/doença mental: a funcionar desde agosto com 21 residentes.

Centro de Acolhimento Paz/Refugiados de Penela:abriu a 7 de novembro, com 20 Sudaneses e Sírios vindos do Egipto.

Hotel Parque Serra da Lousã, 4 estrelas, 40 quartos: inaugurado a 7 de novembro. Criação de emprego e desenvolvimento local e regional.

Espaço da Mente: inauguração do EcoMuseu Territorial no dia 9 de junho.

Reptilário, com espécies nacionais: abriu em 18 de agosto no Parque Biológico da Serra da Lousã.

Gip Inclusivo-Gabinete de Inclusão Profissional, para pessoas com handicap: inaugurado em 6 de novembro.

Estufas agrícolas em Cadaixo, a funcionar desde novembro, para produção de hortícolas e criação de emprego e atividades ocupacionais.

Clube UNESCO Trivium- criado em 11 de setembro de 2015.

Encontro de dirigentes da RUTIS/Encontro Nacional de Universidades Seniores em Miranda do Corvo: datas 5 e 6 de junho de 2015.

Aquisição e obras do prédio da Rua da Coutada: 8 apartamentos T4 para alojamento social.

Prémios:

1º Prémio de Inovação Social para o projeto “Mãos Cheias de Saberes e Sabores. Queijaria e Fumeiro”, na vertente Sustentabilidade, do concurso “Mãos Dadas – Comunidade e Solidariedade no Feminino, atribuído pela APGICO (Associação Portuguesa de Criatividade e Inovação) e pela SIUP (Soroptimist Internacional União de Portugal).

Projeto Mentes Brilhantes vence concurso “Todos queremos um bairro melhor”, organizado pela EDP e Revista Visão, com o alto patrocínio da Presidência da República..

Menção Honrosa do Prémio Nunes Correa Verdades de Faria, atribuída pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa à Fundação ADFP na categoria de Cuidados e Carinho dispensados aos Idosos Desprotegidos.

Menção Honrosa do Prémio Maria José Nogueira Pinto, atribuído pela MSD- Merck Sharp & Dome ao projeto Mentes Brilhantes.
Prémio Manuel António da Mota, com o valor de 50 mil euros, Atribuído pela Fundação Manuel António da Mota, ao projeto Mentes Brilhantes

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