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Mais de cem pessoas com doença mental grave correm o risco de ficar sem Apoio Domiciliário

Fundação ADFP solicita continuidade do projeto ContinuaMente

Mais de uma centena de pessoas com doença mental grave, residentes em seis concelhos do distrito de Coimbra (Miranda do Corvo, Lousã, Coimbra, Vila Nova de Poiares, Condeixa e Penela), são apoiadas em casa por equipa multidisciplinar (psicóloga, enfermeiro e assistente social) da Fundação ADFP – Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo. Este é um projeto reiniciado em 2013 (dando continuidade à um outro projeto de apoio Comunitário que começou em 2008) e que agora corre o risco de terminar em Maio.


É intenção da Fundação ADFP continuar a apostar na integração das pessoas com doença mental na comunidade, pelo que tem vindo a realizar várias diligências a solicitar a continuidade do Projeto de Apoio Domiciliário – Continuamente, cujo financiamento da Direção Geral de Saúde irá terminar no final de Abril de 2016.


Este é um Projeto que se enquadra no âmbito das novas políticas de saúde mental e da Reforma da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em Saúde Mental (RNCCI) que perspetivam a comunidade como um recurso importante no processo de reabilitação psicossocial das pessoas com doença psiquiátrica, como tem vindo a ser defendido publicamente nos últimos dois meses pelas diversas entidades responsáveis (Ministério da Saúde, Direção Geral de Saúde, Coordenador da RNCCI, Diretor do Plano de Saúde Mental e outros organismos públicos, público-privados).


Cada vez mais se deve apostar no tratamento na comunidade de pessoas com doença mental objetivo que a Fundação ADFP tem vindo a implementar principalmente desde 1995.


Contudo, contrariamente ao que tem vindo a ser defendido e indo contra as boas práticas em saúde mental, a partir de Maio as pessoas apoiadas por este projeto ficam em risco de ficar sem apoio, comprometendo os resultados terapêuticos obtidos até ao momento, podendo mesmo levar a retrocesso, interrompendo a recuperação em curso.


Situação grave lesiva do bem-estar dos doentes e das suas famílias. Salientamos que no caso das pessoas com doenças mentais o agravamento dos sintomas destes doentes têm um efeito muito prejudicial no bem-estar das suas famílias e mesmo dos vizinhos.


O Serviço Comunitário tem como missão promover a prestação de cuidados de proximidade às pessoas com problemas de saúde mental grave, de forma a prevenir recaídas e evitar o afastamento do seu meio habitual, sendo este um recurso importante na reabilitação psicossocial desta população.


A equipa encontra a comunidade e as famílias muitas vezes esgotadas de recursos, de formas de lidar com a pessoa com doença mental. Os utentes acompanhados apresentavam uma elevada taxa de internamentos, consumo de medicamentos, uma vez que não tinham possibilidade de se deslocarem a uma consulta de psiquiatria devia a ausência de recursos (físicos e financeiros), contribuindo para um afastamentos dos serviços de saúde e sociais.


Este projeto ao intervir no meio comunitário possibilitou um apoio de maior proximidade e complementaridade entre os serviços de saúde e da comunidade (Centros de Saúde, Serviços de Psiquiatria, serviços ação social, IPSS, autarquias, entre outros meios da comunidade). O facto de contribuir para a compreensão da doença, dar informação e apoiar os intervenientes ajuda a uma melhor integração e aceitação da pessoa com doença mental na sua comunidade. A intervenção da equipa possibilitou também a redução das despesas inerentes aos internamentos nas unidades hospitalares, o número de consultas médicas, bem como uma redução do consumo de medicamentos e uma maior adesão à terapêutica e facilitação da mudança de comportamentos.


É lamentável que a Administração Regional de Saúde do Centro, a Direção Geral de Saúde e outros organismos do SNS não apresentem disponibilidade para reunir e discutir o futuro destes utentes garantindo a continuidade deste serviços.


Este projeto, dada a sua importância e baixo custo, aliado ao aspeto inovador desta intervenção da Fundação ADFP, conseguiu sobreviver á Troika custando a admitir que venha a terminar quando se anuncia o fim da austeridade.


Salientamos que o custo deste projeto é significativamente menor que outras soluções apontadas no país.


Este projeto de apoio a doentes mentais, na opinião da Fundação ADFP, deve ser alargado em Coimbra á comunidade de pessoas sem-abrigo. Este alargamento criará condições para uma intervenção racionalmente inovadora que acabe com a situação de pessoas condenadas a viver na rua ou em condições infra humanas.


A Fundação ADFP é no país e na região Centro uma das organizações com maior e mais longa experiência em doença mental grave através do Projecto DiferenteMente Igualmente. Este projeto integrado de intervenção social e saúde já obteve vários prémios a nível nacional.

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