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Linces no Parque Biológico da Serra da Lousã

... em Miranda

Além dos dois ursos-pardos, o Parque Biológico da Serra da Lousã (PBSL) tem mais dois novos habitantes, um casal de linces.


Em Portugal houve linces até ao século passado da espécie Lynx pardinus . Os últimos existentes em Portugal foram designados como lince da Serra da Malcata.


Na impossibilidade de mostrar aos visitantes um destes linces extintos o Parque Biológico conseguiu que Espanha cedesse este casal. Esta cooperação com Espanha segue-se á vinda de um casal de ursos pardos, espécie hoje extinta na vida selvagem da península ibérica, e cuja existencial e reprodução está a ser mantida por animais em cativeiro.


O lince eurasiático, um animal ligeiramente diferente do Lynx pardinus, é um predador que pode pesar entre 15 e 28 kg. É reconhecido pelo seu corpo curto, pernas longas, pés grandes e orelhas com um tufo preto característico na ponta. O pêlo é macio e denso e a sua cor vária de acordo com a localização da espécie, mas geralmente é desde cinza a avermelhada e mais ou menos manchada.


Coelhos e grandes roedores constituem a maior parte da dieta do lince. São animais mais activos durante a madrugada e à noite e, quando não estão activos, passam o tempo a descansar sob a vegetação, ervas altas, ou nas árvores. São principalmente terrestres, mas são hábeis em escalada, de árvores ou escarpas, e natação.


Acasala entre Fevereiro e Março, dando à luz 2 a 3 crias após um período de gestação 68 dias. Os recém-nascidos pesam entre 300 e 350g e são dependentes da mãe. O lince pode sobreviver até 17 anos no estado selvagem e 24 anos em cativeiro.


A espécie presente no Parque é o lince euroasiático (Lynx lynx), no entanto, a espécie autóctone de Portugal é o lince “ibérico” (Lynx pardinus). De uma população de cerca de mil animais no final do século XX, o número de linces ibéricos situa-se hoje na ordem das duas centenas em estado selvagem e só existem em Espanha. O lince ibérico é considerado Criticamente em Perigo pela IUCN e é o felino mais ameaçado no mundo e o carnívoro mais ameaçado na Europa.


Caça, atropelamentos e perda de habitat bem como a total dependência desta espécie em coelhos que foram excessivamente caçados e vítimas de doença têm acelerado a diminuição da população de lince ibérico. Neste momento apenas permanecem duas populações reprodutoras desta espécie em áreas protegidas de Espanha.


Apesar da informação mais recente não confirmar a presença da espécie em território nacional, existem sítios que mantêm características adequadas para a presença desta espécie ou susceptíveis de serem optimizadas para promover a sua recuperação ou permitir a sua reintrodução a médio/longo prazo. O último dado da presença do lince ibérico em Portugal é referente a um excremento encontrado na Serra da Adiça, em 2001. Devido à grande necessidade de protecção da espécie, abriu em 2009 o Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico, em Silves, em cooperação com os espanhóis, que conta neste momento com 16 linces.


O PBSL é constituído por Centro Hípico, Quinta Pedagógica, Labirinto de Árvores de Fruto, Parque de Vida Selvagem, Museu da Tanoaria e Museu Vivo de Artes e Ofícios Tradicionais e pretende, junto do visitante, sensibilizar para a urgência de proteger todas as espécies da fauna e flora portuguesas bem como para a importância de recuperar os habitats de forma a introduzir espécies que já não podem ser encontradas no nosso país em estado selvagem como é o caso do lince ibérico.


O parque, pertence à Fundação ADFP – Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional – uma instituição sem fins lucrativos com 23 anos de existência que tem como objectivo, através do contacto com a Natureza, estimular o desenvolvimento pessoal e social de pessoas vítimas de exclusão, deficientes e doentes mentais.


O Parque Biológico da Serra da Lousã, é o único zoo da vida selvagem de Portugal. A visita ao Parque apoia esta causa social de integração de pessoas com deficiência e doença mental e ajuda na protecção da natureza e na preservação das espécies selvagens.

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