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“Liberdade Espaço da Mente”, livro de Jaime Ramos e Nancy Rodrigues

Apresentado no Café Santa Cruz, lotado, em Coimbra

O livro de Jaime Ramos, médico e presidente da Fundação ADFP, e de Nancy Rodrigues, do Gabinete de Imagem e Parcerias, foi apresentado ao fim da tarde, no Café Santa Cruz, em Coimbra, que estava lotado, dia 5 de julho.

Os autores convidaram três pessoas para a apresentação do livro da Editorial Minerva: o Dr. António Manuel Arnaut, advogado, a Dra. Madalena Abreu, docente e especialista em Marketing das Organizações Não Lucrativas, e o Prof. Dr. Manuel Teixeira Veríssimo, médico e Coordenador do Grupo de Estudos Geriátricos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

No entanto quem abriu as “hostes” foi Nancy Rodrigues, em estreia como autora, que desde logo agradeceu a Jaime Ramos por a ter convidado a partilhar o livro, o que considerou “uma honra e um privilégio”, agradecendo a Rita Correia, autora da capa, e à editora Isabel Garcia, da Editorial Minerva, ausente por falecimento de um familiar, e também ao fotógrafo Francisco Pedro.

“Há 15 anos, quando integrei a ADFP, um dos desafios propostos para o meu trabalho foi a recolha por entre a população de peças já em desuso, com o objetivo de fazer um museu etnográfico. É uma grande honra, 2 anos depois da inauguração, ver um Espaço (da) Mente que não são só as peças, cada peça do Espaço revela quem a ofereceu, e a sua própria história de vida, histórias das nossas pessoas e comunidades”, afirmou.

“Volvidos mais de 10 anos, temos mais do que um museu etnográfico, temos uma homenagem à civilização, um monumento à humanidade, e em especial à liberdade”, concluiu.

A visão de António Manuel Arnaut

O primeiro apresentador, António Manuel Arnaut, começou por dizer que “independentemente do contexto, existe no museu um acervo sobre a liberdade, com um bom começo e um bom final, e muita coisa no meio, e isso foi o que senti que o autor me disse”.

“Há duas coisas importantes, as palavras Trivium e Quadrivium. Este último diz respeitos às artes liberais e o suprassumo dos meios mecânicos. São do Trivium a lógica, gramática e a retórica”, acrescentou.

“O Trivium está ligado à maçonaria, embora na capa esteja escrito igualdade, liberdade, fraternidade, é o corpo, mente e espírito. Com uma apologia a 3 filhos deles adotivos, o Parque Biológico da Serra da Lousã, o Espaço (da) Mente, e o Templo Ecuménico Universalista, num compasso ternário”, lembrou ainda que também no livro se fala da Santíssima Trindade, outra trilogia, especificou.

“O Parque Biológico mostra a igualdade do homem com todos os seres vivos, fazendo lembrar-nos de S. Francisco de Assis, ‘todos nós somos iguais’. O Espaço (da) Mente tenta-nos colocar o símbolo físico, para darmos um salto em frente. O Templo Ecuménico não é uma ode, mas um hino à paz e fraternidade universal, para todas as religiões sem exclusão, uma utopia fantástica e bem organizada”, sublinhou.

 

Uma leitura diferente de Madalena Abreu

“Tenho uma leitura diferente da anterior, até porque esta é uma das primeiras edições da ADFP, e creio que no futuro as publicações serão muitas. Ambos os autores lutam por causas. Parabéns e vou começar com a Nancy, como a Rainha Santa Isabel, mulher difusora da paz e união entre os homens, porque conhece, está atenta, e sinto que a Rainha Santa Isabel está a olhar para nós muito contente, até porque está para breve o anúncio da Área Metropolitana de Coimbra”, diria logo a abrir Madalena Abreu.

Madalena Abreu afirmaria depois haver 3 palavras que definem Jaime Ramos: “inquieto, provocador e apaixonado, pessoa que se reconhece com uma intensidade imensa. Há uma palavra que lhe é muito cara, a integração. Ele é uma pessoa que tudo integra na vida e nesta obra, atingindo muito da história do homem e da humanidade, do início até ao fim. As peças e os animais, a organização e diferentes construções no Espaço, põem o mundo ao serviço do Homem”.

“Tudo se cruza, se encontra, se relaciona, não é por acaso. Existe uma sustentabilidade, com dinamismo contínuo, preocupações ambientais. Jaime Ramos anda muito à procura de respostas, já e agora. Jaime Ramos procura tirar bom proveito de todas as pessoas, sem deixar de atender a ninguém”, sublinhou. A Professora referiu que vê em Jaime Ramos semelhanças com Pierre de Chardin, padre jesuíta, que foi condenado pela Igreja, em vida, e hoje reconhecido como exemplo de sabedoria cristã.

“Liberdade é a 1ª palavra do livro, tão importante, tão cara. A liberdade – diria a concluir – é muito mais do que o livre-arbítrio, sobretudo esta liberdade de amar, de conhecer-nos uns aos outros. Citando o Papa Francisco ‘o tempo é mais importante e mais longo que o espaço’, Madalena Abreu, que disse que “amar é toda uma continuidade para este espaço onde nunca nada é deixado ao acaso”.

 

A imortalidade possível de Teixeira Veríssimo

O título do livro fez com que Teixeira Veríssimo dissesse que “não há liberdade sem morte, nem morte sem liberdade”, acrescentando que “nós somos o que pensamos, não há morte sem a liberdade. O Espaço é ilimitado, sendo proporcional ao conhecimento, que é poder, e não o livre arbítrio”.

“Como seria se fosse possível parar o universo ou ser imortal? É que hoje já se pensa que daqui a 30 anos é possível parar o envelhecimento e tornar-nos quase imortais”, concluiu.

Falou no fim Jaime Ramos para “agradecer a Nancy Rodrigues, autora que organizou a coleção etnográfica, a Francisco Pedro pelas fotos e a Rita Correia pela capa, a Isabel Garcia, editora, e aos amigos que apresentaram o livro”.

A capa de um guia com múltiplas mentes

Jaime Ramos não falou do conteúdo do livro dizendo que a leitura e interpretação do Espaço da Mente depende de cada um e que a intenção é originar reflexão em cada pessoa. Especulou só sobre a capa e o título: “A Liberdade é que define o Espaço da Mente, da nossa mente, e os seus limites. Sem o "da" o Espaço Mente: olhamos para o universo, vemos estrelas que se calhar já morreram, e somos enganados pela relação tempo/luz. A Mente, criada pelo Habilis, é que nos tornou únicos no mundo de vida plural. À medida que foi evoluindo, o Habilis originou o Sapiens, que com a Mente e Espirito começou a colocar as grandes questões para as quais ainda não temos respostas seguras e finais. O Espaço da Mente não tem limites. "Reparem que imaginamos o universo para além dos limites do próprio universo e até imaginamos multiversos" e conseguimos adivinhar o infinitamente pequeno. " Pensamos na Vida para além do seu início e para o além, com a Liberdade de Alma".

“Imaginamos e descodificamos o início do Mundo e atrevemo-nos a pensar para além do fim da coisa”.

“A liberdade elimina os limites do Espaço da nossa mente ". Estou a ver ali ao fundo o António Amaral Tavares, o meu poeta favorito, premiado a nível nacional, e a sua poesia, tal com a de Pessoa, mostra-nos que a liberdade da nossa mente, pode ser a liberdade dessas múltiplas mentes que habitam os poetas que estão dentro da nossa mente. As duas mentes que habitarão os nossos hemisférios cerebrais, e de cujo diálogo resulta a nossa própria pessoa. O Habilis ao criar a mente criou a liberdade, o Sapiens com as dúvidas, a fraternidade ”, conclui Jaime Ramos.

 

Após a sessão de apresentação, os autores procederam à habitual sessão de autógrafos.

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