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Fundação ADFP organizou conferências de especialistas

Primeiras jornadas sobre cuidados continuados de saúde

As primeiras jornadas de cuidados continuados de saúde, organizadas pela Fundação ADFP de Miranda do Corvo, reuniu médicos, enfermeiros e coordenadores da zona centro, no cinema da vila, dia 26.


Na sessão de abertura, realizada ao fim da manhã, estiveram presentes a presidente da Câmara Municipal, Fátima Ramos, o Dr. Fernando Almeida, presidente do Conselho de Administração do CHPC (Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra), o Dr. Sequeira, em representação do Conselho de Administração da ARS (Administração Regional de Saúde) do Centro e Jaime Ramos, presidente da Direcção da Fundação.


O Dr. Fernando Almeida começou por louvar a Fundação ADFP porque “está metida em tudo, pela organização e transmissão de conhecimento e por levar a cabo anualmente dois ou 3 eventos científicos, debates e conferências”.


Depois, o Dr. Sequeira louvou o esforço dos profissionais da saúde neste domínio e a capacidade organizativa da Fundação nestas primeiras jornadas sobre cuidados continuados de saúde.


Fátima Ramos sublinhou tratar-se de “mais um evento de partilha do saber entre todos”, o “empreendedorismo e inovação da Fundação ADFP que, quando ainda não existiam cuidados continuados de saúde em Portugal, já os praticava, no respeito pela pessoa e no apoio aos mais idosos”, cuidados que definiu”diferentes, mais humanos e mais próximos do que os ministrados nos hospitais”. A autarca mirandense, que falou das IPSS como “criadoras de postos de trabalho e com uma política mais descentralizadora, não deixou de apelar à ARS do Centro para que “sinalize a importância” da criação do Hospital que a Fundação pretende construir, sem gastos para o Estado e com aproveitamento dos fundos comunitários junto do Ministério da Saúde”.


Por sua vez, Jaime Ramos abordou a questão dos serviços prestados na área dos cuidados continuados de saúde pela Fundação e falou da necessidade de criação de uma unidade de cuidados paliativos. Durante a sessão da manhã, Jaime Ramos aproveitou para rebater uma das ideias apresentadas, que apresentava como inevitável a eliminação das juntas de freguesia pequenas:”os serviços às populações não podem acabar, já fechámos correios, farmácias, escolas, maternidades e urgências, seria melhor acabarmos com dois ou três ordenados milionários e não com a democracia nas pequenas localidades”, afirmou.


Durante a sessão matinal, Maria José Espanha, que chefia a ECR (Equipa Coordenadora Regional) do Centro na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, fez um balanço positivo a nível do país: 5300 camas, 220 equipas domiciliárias e 75 mil utentes que a ela recorreram desde a sua criação em 2006. É na Região Centro que se encontra o maior número de respostas, cabendo ao Distrito de Coimbra 745 camas, equivalentes a 47% da Região Centro e 14% a nível nacional. Maria José Espanha salientou o papel dos agentes das Equipas de Coordenação Local, que fazem a avaliação dos doentes, os encaminham e articulam-se com as famílias.


Realidade do Pinhal Interior, Reabilitação clínica e psicoterapia da alma


Os enfermeiros Edálio Estanislau (ECL Litoral) e Zita Gomes (ECL Uraban) apontaram dados sobre as respectivas realidades, enquanto a médica Graça Correia abordou a realidade do Pinhal Interior, 100 mil pessoas em oito concelhos, entre os quais Miranda do Corvo. A Fundação ADFP foi referida como tendo 30 camas na Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração e 18 na de Média Duração.
Graça Correia considerou essencial uma “maior aposta no apoio domiciliário” e nos Centros de Saúde, que dispõem maioritariamente de enfermeiro, médico, serviço social mas não de fisioterapeuta, enfermeiro de reabilitação e psicólogo”.


A média de idades predominante é de 65 anos, sendo os homens em maior número que as mulheres e as tipologias AVC (Acidente Vascular Cerebral), fracturas do fémur e neoplasias.


O Prof. Dr. João Páscoa Pinheiro abordou a temática da reabilitação clínica em Cuidados Continuados, dando depois a palavra à fisioterapeuta Andreia Rodrigues (FADFP), que perspectivou a fisioterapia nos Cuidados Continuados tendo em conta a independência, autonomia e funcionalidade do doente e à enfermeira Joana Fachada (FADFP) que fez uma intervenção sobre o papel do enfermeiro nas UCC.
Após um almoço dos participantes no Restaurante Museu da Chanfana, no Parque Biológico da Serra da Lousã, Joana Simões, do Conselho Clínico do Agrupamento dos Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte I, moderou uma mesa sobre boas práticas.


Nela intervieram o Dr. Óscar Vilão, director do Serviço de Medicina Interna e Cuidados Paliativos do Instituto Português de Oncologia do Centro, que falou da dor crónica, o Dr. Tiago Pina que abordou a questão da nutrição na 3ª idade, o investigador Mestre João Oliveira, que se debruçou sobre a relação terapêutica com o idoso e o Prof. Dr. Parra Marujo, que coordena o mestrado em gerontologia social na Escola Superior de Educação João de Deus (Lisboa), que falou sobre “o corpo diz o que a sua mente reflecte”. Definindo-se como um “psicoterapeuta da alma”, Parra Marujo afirmou que “as doenças mentais são psicoespirituais, porque perdemos a nossa espiritualidade”:”a psicoterapia transpessoal integrativa relaciona corpo, emoções, razão e espiritualidade, que em grego significa o sôpro da vida”.


Após um intervalo onde actuou o Coro da Universidade Sénior da Fundação, Luísa Ramos, médica das Unidades de Cuidados Continuados de Média e Longa Duração da RNCCI na FADFP, moderou a mesa “quando se atinge o limite...”, em que os dois oradores falaram da síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico de carácter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, ligada à vida profissional.


Paulo Queirós falou de “Burnout, da exaustão à ineficácia” e Mestre Helena António de “Burnout e competência relacional em cuidadores formais de idosos institucionalizados”.


Na sessão de encerramento, assistiu-se às intervenções da Dr.ª Irene Ferreira, Directora de Núcleo de Qualificações de Famílias e Territórios do CDSS (Centro distrital de Segurança Social) de Coimbra, do Dr. César Fernandes, Director do Centro de Saúde de Miranda do Corvo e de Jaime Ramos, presidente da Fundação ADFP.

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