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Entronizou sete novos confrades e homenageou António João Paiva Lucas

V Capítulo da Real Confraria da Matança do Porco

Com um "desdejum" matinal e um Jantar da Matança do Porco no Parque Biológico da Serra da Lousã, o V Capítulo da Real Confraria da Matança do Porco entronizou  sete novos confrades e homenageou António João Paiva Lucas, falecido em Março, membro fundador e ensaiador do Grupo Etnográfico Tecedeiras dos Moinhos, dia 12 de Outubro.

Num ambiente de sentida emoção, todos os presentes, de pé, respeitaram o minuto de silêncio pedido pelo presidente do Conselho de Lavradores, a anteceder o ritual de entronização dos novos confrades.

Jaime Ramos sublinhou primeiro, que "temos todos alguma responsabilidade  na valorização da tradição a partir das famílias e das relações de boa vizinhança", para depois  relembrar a figura e a pessoa que foi António João Paiva Lucas, falecido aos 49 anos, que desde o início colaborou ", e homenageá-la entregando a uma das tecedeiras uma foto gigante emoldurada do fundador do grupo.

Pelo grupo, Vítor Antunes usou da palavra para "lembrar o Tó João, que lá do céu está a agradecer esta lembrança, ele faz-nos muita falta, um muito obrigado à Fundação ADFP".

Nova homenagem desta vez pelo prof. Carvalhais, representante da Federação ds Confrarias Portuguesas.

Jaime Ramos aproveitou para evocar o Parque Biológico da Serra da Lousã como "projecto de coesão social que dá trabalho e ocupação a deficientes, doentes mentais e desempregados de longa duração" e, em termos lúdico-turísticos, "a melhor mostra de vida selvagem de Portugal". Propriedade de uma Fundação ADFP "sem fins lucrativos, IPSS próxima dos 26 anos de existência, com maior necessidade de respostas sociais, com a integração de todas as pessoas".

"Algumas delas com deficiências motoras e outras, integram os mais altos cargos a nível da hierarquia", acrescentou Jaime Ramos, explicando o porquê de tantos prémios recebidos por boas práticas.

"As confrarias querem coisas que as distingam das outras e nós nascemos para afrontar o fundamentalismo da ASAE, de não se poderem usar colheres de pau nas cozinhas ou quererem impedir aos lavradores a criação e matança do porco, um acto de insurreição contra a ortodoxia", relembrou ainda.

Contra a ortodoxia o sarcasmo

O presidente do Conselho de Lavradores da RCMP, lembrou o símbolo da cruz no estandarte, "somos os únicos nas religiões monoteístas que consomem a carne do porco, tradição que devemos manter" e citou palavras do padre Daniel na missa, "não é o que comemos que nos faz impuros, o que sai de dentro de nós , do nosso coração , é que pode ser impuro".

Não sem sarcasmo, Jaime Ramos, após perguntar se alguém tinha visto o filme "Este país não é  para velhos", revelou que, pela primeira vez, a matança seria feita "com uma espécie de pistola de ar comprimido, por imposição legal, e só depois usaremos a sangria tradicional".

Henrique Silva, veterinário do Parque afirmou tratar-se de "um método de insensibilização imposto pelo Decreto-Lei 28/96 sobre o bem-estar dos animais no momento do abate".

"Trata-se de um aparelho com um fulminante que dispara um êmbolo de ferro cilíndrico para o cérebro do porco, induzindo-o em estado de coma imediato, não sofrendo o animal a dôr da sangria".

Alzira Tomás, Sofia Santos,  Tiago Ramos Sampaio, Marize Oliveira, Rogério Fonseca, Francisco Silva e Diana Francisco, prestaram então juramento como novos confrades, seguindo-se o ritual de entronização a cargo dos confrades César Fernandes, José Rodrigues e Quirino São Miguel.

A recriação da matança do porco teve então lugar, junto às cavalariças, tendo como matador do porco, já em cima do banco, o êmbolo de ferro cilíndrico disparado para o cérebro pelo aparelho de insensibilização. Já com o porco induzido em estado de coma,  procedeuse ao golpe profundo da afiada faca, permitindo o sangramento, e depois de  chamuscado com carqueija e lavada e raspada a pele, a abertura para extracção das partes e órgãos. Procedeu-se depois à tradicional refeição de trabalho festiva do dia da matança, constituída pelos produtos perecíveis como o sangue coalhado, fígado e pulmões, que antecedeu o Jantar da Matança. Tratou-se de uma grande grelhada regada pelas últimas garrafas de tinto da colheita 2011 "Terra Solidária", produto das vinhas da Fundação e finalizado, entre outras sobremesas, com o tradicional doce conventual Nabada de Semide, reinventado pelo restaurante Museu da Chanfana, no picadeiro coberto.

Este V Capítulo da RCMP contou com a presença de 22 confrades de 11 confrarias, entre elas a novél Confraria dos Amigos do Negalho da freguesia de Alamalaguês, representada por Bruno Rosa e Gonçalo Cunha,cujo primeiro capítulo realizado em Abril, teve como  madrinha outra confraria do concelho de Miranda do Corvo, a dos Amigos da Geropiga de Moinhos e Arredores.

11 confrarias, média de 2 por confraria.

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