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Em oficinas de formação sobre “Educação, Género e Cidadania”

Alunos com necessidades educativas especiais da Fundação ADFP

No âmbito de uma oficina de formação sobre “Educação, Género e Cidadania”, promovida pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), alunos da Fundação ADFP com necessidades educativas especiais desenvolveram várias actividades e trabalhos em contexto escolar e institucional.

Esta oficina, sob orientação de Ilda Dias, professora de Educação Especial, destacada na instituição mirandense, teve como formadoras Cristina Vieira, professora da FPCEUC, e Teresa Alvarez, da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG).

O principal objectivo deste projecto iniciado em 2008, foi o de integrar a dimensão do género e da igualdade entre raparigas e rapazes no currículo do ensino básico, com uma intervenção educativa visando a eliminação gradual dos estereótipos sociais de género, de modo a tornar efectiva a educação para a cidadania.

Através de actividades que integram os Guiões de Educação Género e Cidadania, da CIG, pretende-se que os jovens compreendam que ainda hoje se observa um tratamento desigual de mulheres e homens em diferentes domínios da sociedade, justificado em crenças acerca da natureza de cada um dos sexos. E, sobretudo, que aprendam a questionar as ideias que nos foram ensinadas, e aprendidas, sobre o que deve ser-se ou fazer-se, independentemente do sexo, para que adquiram valores e competências que lhes permitam ser cidadãos mais responsáveis, mais solidários e mais “humanos”.

Na actividade.“Os tempos livres dos nossos pais e mães”, os alunos mais velhos (jovens do Centro de Actividades Ocupacionais e da Formação Profissional, com mais de 18 anos de idade) pesquisaram junto dos seus pais e outros familiares, acerca dos estereótipos de género que prevalecem no tempo, e do que é preciso mudar.

O resultado foram vários trabalhos em sala de aula: desenhos, cartazes, um desdobrável e uma Banda Desenhada. Para comemorar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, os alunos assistiram a uma palestra com o Dr. Pinto da Costa, no Agrupamento de Escolas do concelho.

 “À descoberta do Património Imaterial” foi outra das actividades considerada muito importante para realizar com as crianças e jovens do Lar de Infância e Juventude (LIJ), da Fundação.

Os jovens recolheram junto das pessoas mais idosas da Residência Gratidão (Assistida), Sabedoria (Geriátrica) e do Centro de Dia, testemunhos da sua vida passada, as suas brincadeiras, os trabalhos e actividades que desenvolveram (no artesanato, profissões, ocupações) e as dificuldades que passaram, reconhecendo melhor o valor do trabalho e da sabedoria dos mais velhos e o seu contributo para a sociedade actual.

 

Testemunhos dos mais idosos

 

Maria Laurinda, de 80 anos, contou a sua infância e o seu trabalho de carvoeira. Teve que sair da escola com dez anos, com apenas a 3ª classe, para começar a trabalhar com os pais, que eram carvoeiros. Descreveu todos os passos para fazer o carvão, desde o cortar da lenha até à sua venda junto das pessoas, no mercado semanal e outras feiras.

Também João Ladeira, de 91 anos, antigo dono de um lagar de azeite, relatou aos alunos como se faz o azeite, desde a apanha da azeitona até à obtenção do produto, salientando a evolução dos instrumentos usados no seu fabrico, desde a moagem manual, com moinhos puxados por bois ou movidos a água, até à actualidade em que é feito com motores eléctricos. A sua esposa, Lurdes, de 82 anos, fazia as refeições para todos os trabalhadores e ajudava na limpeza do lagar.

Já Maria Mendes, de 88 anos, igualmente dona de um lagar, contou como ajudava o marido, sobretudo na limpeza do lagar e no preparo das refeições para os trabalhadores, além de todo o trabalho que faziam no campo. Arménio Dias, com 91 anos, refere que começou ainda criança, por trabalhar no vime, ajudando o seu pai a fazer cestos e canastras, e mais tarde trabalhando na recolha da resina, tendo sido guarda-fios e aprendido a tocar violino (de ouvido), tocando em muitas festas e arraiais. Foi também monitor na oficina de Vime, na Fundação. Afirmou, orgulhosamente, que está casado há 63 anos com a esposa Natália, de 84, também residente na instituição. Esta senhora sublinhou que, de pequena, ajudava o pai a fazer canastras e nos trabalhos de agricultura, e mais tarde o marido.

Elvira, de 94 anos e Idalina, de 82 anos, entre muitos outros trabalhos, foram costureiras, começaram a aprender o ofício ainda crianças, com o objectivo de fazerem as roupas para a sua família. Mais tarde, já adultas, costuravam para outras pessoas.

Conceição Carvalho, de 75 anos, foi guarda de passagem de nível e Lurdes, referiu que trabalhou “na Fábrica dos Baetas”, a fazer tapetes (salienta que fez uma passadeira com 50m, com a cara do Rei, para uma encomenda de Lisboa), e mais tarde foi auxiliar na Maternidade e no Hospital da Universidade de Coimbra.

Américo Oliveira, 86 anos e Alberto Costa com 74, contaram a sua vida de sapateiros, Arménio Soares, de 81 anos, contou o seu trabalho num aviário e, mais tarde, a sua vida como agricultor. Também Fernando Gonçalves, de 59 anos, da área da saúde mental (veio do Lorvão), relembrou a sua vida como voluntário na Força Aérea e o seu trabalho como funcionário administrativo, em algumas empresas de renome, no Ministério da Agricultura e em França.

Os jovens visitaram ainda as oficinas de artesanato da Fundação, localizadas no Parque Biológico da Serra da Lousã, onde puderam ver “ao vivo” como se fazem os trabalhos em vime, como se trabalha o barro, como funcionam os teares e ainda como se faz o conserto de calçado, na oficina de sapataria. Aqui, foram explicados os vários passos, desde a matéria-prima até à obtenção do produto final.

Perante este trabalho, quase todo manual, os alunos e as alunas aprenderam a valorizar os mestres de ofícios que ainda subsistem, aprendendo com eles e com elas, desde o tratamento da matéria-prima até à produção das obras finais.

Vendo e convivendo com pessoas de outras gerações, os jovens adquirem outros valores e competências, reconhecendo o contributo da geração mais velha, e aprendem a valorizar o trabalho tanto do homem como da mulher, numa perspectiva de igualdade de género.

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