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1º Ciclo de conferências sobre psicogerontologia e saúde mental

Fundação ADFP assinalou Dia da Doença de Alzheimer

O envelhecimento da população e as transformações e declínio nas pessoas idosas, e na área da saúde mental, deram o mote para o 1º ciclo de conferências sobre psicogerontologia, organizado pela Fundação ADFP, de Miranda do Corvo, que assim assinalou o Dia da Doença de Alzheimer, a 21 de Setembro, no cinema local.

Reis Marques, Director do Serviço de Psiquiatria dos HUC (Hospitais da Universidade de Coimbra), começou por citar um estudo que afirma “serem cada vez mais os velhos que se sentem abandonados e são abandonados pelas famílias nos hospitais portugueses”:“para atingirmos os patamares europeus teremos que fazer um grande esforço”.
Luís Pires apresentou notas em torno de um projecto de investigação da FPCE-UC (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra) sobre rastreio cognitivo, com adultos idosos, que trata da avaliação neuropsicológica e do envelhecimento. Já Ana Rita Silva, da Fundação Bissaya Barreto abordou a estimulação cognitiva em contexto institucional, apresentando dados muito concretos, em 2010 o índice de envelhecimento da população portuguesa é de 117 jovens para cada 100 jovens, em 2050 será de 398 para cada 100 e alertando:”a maioria das instituições que acolhem idosos não está vocacionada para apoiar nenhuma condição patológica particular, fazendo coexistir no mesmo espaço pessoas sem perturbações com outras afectadas neuropsicologicamente”.
Depois de Manuela Vilar falar do envelhecimento e da qualidade de vida, “um dos desafios é o de não acrescentar apenas anos à vida, mas vida aos anos (qualidade)”, Liliana Sousa abordou o envelhecimento e capacidade funcional, com implicações na gestão das finanças pessoais e outros bens. Joaquim Cerejeira falou das emoções e envelhecimento, saber viver com a idade, declarando que o que é surpreendente é “a melhoria da regulação emocional e a diminuição das emoções negativas: os idosos estão mais atentos às emoções positivas”.
Horácio Firmino abordou a questão do capital mental, “um conceito novo que traduz o desenvolvimento desde que nascemos até morrermos”: “para o bem-estar mental é preciso desenvolver o potencial, trabalhar produtiva e continuadamente, contribuir para a comunidade, sendo que um nível educacional alto atrasa o aparecimento dos sintomas da demência”. Segundo Horácio Firmino, os factores que influenciam o capital mental na vida adulta são a “actividade física protectora, a alimentação, a depressão e perturbações da ansiedade, o stress na vida diária e a doença crónica”:”o capital mental atingido pela maioria dos idosos está abaixo do possível”.
Destaque para o espaço cénico protagonizado pelo Grupo Teatro Interdito, da FPCE-UC, que focou os gostos e prazeres que se mantêm na vida, e no processo de envelhecimento, na condição do estarmos e do sermos.

Sessão de honra, Cuidados Continuados, Défice cognitivo no envelhecimento

Na sessão de honra do evento, Jaime Ramos, presidente da Fundação ADFP, após agradecer a presença dos oradores da FPCE, dos HUC, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, e o apoio da Câmara Municipal, fez o historial da instituição mirandense, recordando o pioneirismo no acolhimento das pessoas com doença de Alzheimer e demências senis na Residência Assistida:”nunca nos recusámos a receber estas pessoas numa cultura de integração. Já Mário Simões, coordenador da área de psicogerontologia clínica da FPCE-UC, elogiou a ADFP como “instituição modelar a vários títulos” e referiu que o projecto de investigação que está a ser levado a cabo na faculdade, financiado pela Fundação Gulbenkian, foca “os instrumentos de avaliação da qualidade de vida e da memória funcional”.
Finalmente, a autarca mirandense, Fátima Ramos, fez uma apresentação de Miranda do Corvo, da Aldeia do Xisto do Gondramaz, do Parque Biológico da Serra da Lousã e da gastronomia local, atributos de um “concelho saudável e solidário” e falou da aposta no convívio intergeracional da Fundação ADFP, “conceito que criou dúvidas no início”, e que “espicaçou consciências adormecidas”.
Durante a tarde, e após almoço no Restaurante-Museu da Chanfana, na Quinta da Paiva, Pires Preto, director Clínico do CHPC, moderou uma mesa onde Maria José Hespanha falou da rede nacional de cuidados continuados integrados, Dora Paiva fez a avaliação da experiência em duas unidades de cuidados continuados de média e longa duração na Fundação ADFP e Ana Araújo abordou a situação das Unidades de Saúde Mental Comunitária a serem implementadas. Patrícia Fernandes falou do projecto pioneiro da ADFP “Diferente/Igualmente, uma experiência de integração”, enquanto Carlos Miranda e Sílvia Pinto abordaram o serviço comunitário de apoio domiciliário a doentes mentais, patrocinado pelo Alto Comissariado para a Saúde, e Sofia Santos debruçou-se sobre a inovação e integração no Parque Biológico da Serra da Lousã.
Na última mesa, moderada por António Carvalho, do Hospital de Tomar e Centro Hospitalar Médio Tejo, Cristina Oliveira (FADFP) abordou a problemática da depressão do idoso em contexto institucional, Maria Emília Vergueiro falou da prevenção dos maus-tratos a pessoas idosas em contexto institucional e Margarida Pires de Lima tratou da intervenção psicoterapêutica em grupo com pessoas idosas. Salomé Pinho, “Memória e envelhecimento” e Isabel Santana, “O défice cognitivo no envelhecimento, novo desafio para a sociedade”, fecharam a mesa.
Na sessão de encerramento, César Fernandes, do Centro de Saúde de Miranda do Corvo reafirmou que a FADFP “se consolidou como pioneira pela elevada capacidade técnica e humana com que as pessoas são tratadas nas suas valências”, enquanto Fernando Almeida, presidente do Conselho de Administração do CHPC, afirmou acreditar que “num curto espaço de tempo a sociedade civil e a legislação darão respostas aos problemas que se põem”, citando a propósito “os 62 anos, como média de idade de doentes com 40 anos de internamento em hospitais psiquiátricos”.
Joaquim Gomes da Silva, vogal da ARS (Administração Regional de Saúde) do Centro, saudou a Fundação ADFP por assinalar o Dia do Doente de Alzheimer e a participação de todos os intervenientes nas conferências, com enfoque especial no envelhecimento, doença crónica, solidão e exclusão.
Em jeito de conclusão, Jaime Ramos alertou para duas questões: “é fundamental o respeito pela pessoa humana e é preciso bondade para além de todo o conhecimento científico que se possa ter”
 

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