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“Juventude cerebral ‘eterna’: realidade ou utopia?”

Universidade Sénior da Fundação ADFP promoveu palestra no cinema

Que ninguém se iluda pois não há juventude cerebral ‘eterna’ face ao envelhecimento dos nossos neurónios, foi a mensagem que marcou a palestra da investigadora Ana Duarte, do Centro de Neurociência de Coimbra, perante uma plateia de mais de cem alunos, dia 22, no cinema de Miranda do Corvo.


Organizada pela Universidade Sénior da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional (FADFP) no âmbito do ano europeu do envelhecimento activo e solidariedade entre gerações, a palestra despertou grande interesse dos alunos da Escola 23 C+S José Falcão, que lotaram a plateia.
Mas afinal o que é o cérebro? A questão inicial de Ana Duarte veio já com resposta:
“Máquina central que regula os organismos superiores, a vontade motora, funções vitais, planeamento, execução, aprendizagem e memória”.
 

O cérebro é composto pelos hemisférios direito e esquerdo, cada um contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio excepto a medula oblonga, a ponte e o cerebelo. As funções cerebrais incluem as actividades senso-motora, emocional e intelectual. Aprendizagem é a forma como se adquirem novas informações acerca do que nos rodeia, a memória é o arquivamento da informação ao do tempo. Não existe memória sem aprendizagem, mas existe aprendizagem sem memória. O cérebro tem actividade contínua, que contribui para a plasticidade cerebral com mais e maiores sinapses.


As frases de Ana Duarte sucedem-se, as sinapses são regiões de comunicação entre os neurónios ou entre neurónios e células musculares e epiteliais glandulares, em que o impulso nervoso passa de um neurónio para o outro por meio de mediadores químicos, os neurotransmissores.
 

A investigadora sublinhou que a aprendizagem continua em adultos, só que já não à mesma velocidade da das crianças. A memória de longa duração, essa ou a usamos ou a perdemos.
 

Envelhecimento cerebral ou patológico


A perda de capacidade espacial e temporal leva ao envelhecimento cerebral, que surge depois do organismo ter atingido a sua capacidade reprodutiva máxima.


Para Ana Duarte trata-se de uma “conquista socioeconómica mas também um enorme desafio”, sustentado por números da OMS (Organização Mundial da Saúde) que citou:
“Em 2000, a população maior de 60 anos era de 600 milhões de pessoas, em 2025 atingirá 1,2 mil milhões que serão 2 mil milhões em 2050”.


O envelhecimento não é mensurável nem tem biomarcadores mas acarreta maior perda de memória, sobretudo em doenças crónicas e patologias como a senescência ou demência. Mas, como fez questão de focar Ana Duarte, “os idosos não perdem capacidade de aprendizagem, demoram é um pouco mais”:
“O cérebro é como o vinho do Porto”, afirmou.


Em relação a patologias como a Doença de Alzheimer (AD) ou Parkinson (DP) não há diagnóstico possível, a não ser o post-mortem, mas Ana Duarte deu algumas dicas para ‘contornar’ o envelhecimento cerebral: concentração, relaxamento, organizar-se, repetir, visualizar, associar com algo conhecido. E depois há aqueles pequenos sinais de senescência cerebral: tomar decisões erradas esporadicamente, e isso não é só com a idade, falhar um pagamento mensal, esquecer uma coisa mas lembrar-se posteriormente, confundir familiares.


Na AD há alterações da função cognitiva: 7 a 10% têm mais de 65 anos, 40% com mais de 80 anos e vai aumentando com a idade. Ana Duarte referiu que há 20 anos depositaram-se muitas esperanças na engenharia genética, mas que os resultados não foram os esperados. Depois, citou o caso de uma aldeia famosa no Japão, onde a população era constituída por pessoas maiores de 90 anos, e que se tornou um “case-study”, mas cujos idosos desapareceram durante o tsunami.
 

Em conclusão, por enquanto o envelhecimento cerebral é irreversível e a juventude cerebral eterna uma utopia. 

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