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“In (Dependências)” espectáculo de teatro-debate

A Usina apresentou dia 23 no cinema de Miranda do Corvo

O espectáculo de teatro-debate “In (Dependências)” que a Usina apresentou no cinema de Miranda do Corvo, teve forte adesão do seu público alvo, várias valências da Fundação ADFP, com quem os actores interagiram constantemente durante mais de hora e meia.


O espectáculo, promovido pela AJA (Associação dos Jovens Amigos da Fundação ADFP) e pelo IPJ (Instituto Português da Juventude), foi a dos consumos nocivos, dos computadores aos telemóveis, dos jogos de consolas ao álcool e tabaco, do café às drogas.


Os três actores profissionais, Ricardo, Manú e Ana, interpretaram quatro histórias-tipo, abordando os temas dos jogos de computador e da comunicação com desconhecidos no Messenger, a casa e a família, a escola, as festas. Uma vez representadas, as histórias eram repetidas em síntese, cabendo aos espectadores pará-las sempre que identificavam problemas, debatê-los e até representá-los subindo ao palco. Todas as histórias tiveram como moderador Nuno Correia Alves, que falou do método utilizado: “a base vem do Teatro do Oprimido, elaborado pelo brasileiro Augusto Boal nos anos 60 e 70, com a ideia do espectador virar actor depois de identificar os problemas”.


No “In (Dependências)”, a temática dos consumos nocivos é abordada a partir do conceito “do que é uma necessidade ao princípio, virar uma dependência”. Assim, os casos de bebidas em festas e a condução sob efeito do álcool, o “charro” de haxixe que se fuma para experimentar, depois para ajudar a dormir e até para se “evadir” dentro da escola, a falta de respeito pelos horários das refeições em casa, devido a se estar “agarrado” num jogo de computador ou a falar num chat da internet com alguém que se imagina da nossa idade mas se desconhece.
 

O Teatro do Oprimido (TO) é um método estético que sistematiza Exercícios, Jogos e Técnicas Teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, tendo como objectivos a democratização dos meios de produção teatrais, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo e do teatro. Ao mesmo tempo, traz toda uma nova técnica para a preparação do actor que tem grande repercussão mundial. O TO parte do princípio de que a linguagem teatral é a linguagem humana que é usada por todas as pessoas no quotidiano. Sendo assim, todos podem desenvolvê-la e fazer teatro. Desta forma, o TO cria condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios de produzir teatro e assim amplie suas possibilidades de expressão. Além de estabelecer uma comunicação directa, activa e propositiva entre espectadores e actores.
 

O público que encheu o cinema foi constituído por utentes de valências da Fundação ADFP, como o CAO (Centro de Actividades Ocupacionais), a Formação Profissional, o Lar de Apoio, a UVA (Unidade de Vida Autónoma) e o CAMV (Centro de Apoio à Mulher e à Vida).


A AJA foi fundada em 1996, para a promoção da qualidade de vida dos jovens, a dinamização de actividades culturais, lúdicas e desportivas, e o favorecimento de uma política integradora dos diversos grupos de risco, e do convívio entre gerações na Fundação ADFP. Já a associação USINA, que produziu o espectáculo, tem como principal objectivo a promoção de Projectos de Intervenção Social que contribuam para o desenvolvimento sustentado da população do nosso país, tanto a nível cultural como social.

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